Caso Neymar: como a falha no gerenciamento inicial trouxe uma avalanche de outras crises

Caso Neymar: como a falha no gerenciamento inicial trouxe uma avalanche de outras crises
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Na última semana, o jogador brasileiro Neymar, atualmente contratado pelo time francês Paris Saint-Germain, esteve nas principais manchetes dos jornais do País inteiro. Mas, apesar de estarmos em época de  amistosos pela Copa América, campeonato que ele jogaria pela Seleção Brasileira, não foi pelo futebol. Neymar virou assunto após uma acusação de suposto estupro por parte da modelo Najila Trindade. A história, que sozinha já é um grande problema a ser esclarecido, se transformou também em uma crise enorme de imagem que parece estar longe de terminar.

O desenrolar de todo esse espetáculo midiático protagonizado por dois jovens começou lá atrás. Neymar e Najila começaram a conversar através das redes sociais e logo passaram a trocar mensagens pelo WhatsApp. Ambos tinham o desejo de um encontro e Neymar providenciou tudo com passagens aéreas e hospedagem. Porém, segundo Najila, Neymar teria cometido estupro e agressão após uma negativa de sexo dela. Com um boletim de ocorrência registrado em uma delegacia de São Paulo, a imprensa tomou conhecimento do caso e armou acampamento em busca de mais informações.

Até então, o nome de Najila ainda não havia sido divulgado, até que o jogador decidiu se pronunciar através do Instagram (novamente ele). Em um vídeo com cerca de 7 minutos e que depois foi apagado pela própria plataforma, Neymar assume o encontro com a modelo, mas nega o estupro. O problema é que, para “provar” sua versão, ele divulga trechos das conversas entre os dois, exibindo, inclusive, fotos íntimas que Najila havia enviado para ele. Pronto, era o que o tribunal popular das redes sociais precisava para começarem as teorias e opiniões.

Qualquer pessoa deve responder à Justiça caso tenha cometido algum crime, independente de seu nome ou condição financeira. Mas, quando falamos sobre um jogador mundialmente famoso, que estampa produtos, fala por marcas e tem mais de 120 milhões de seguidores no Instagram, analisamos (apenas do ponto de vista da comunicação, sem justificar uma coisa pela outra) também o impacto que isso traz a imagem de uma pessoa com esses números.

Cada situação de crise é única e deve ser abordada de acordo com o seu tamanho, assim como quem a envolve. Nesse caso, a exposição só tornou as coisas mais difíceis para Neymar, que poderia ter entregue as conversas à polícia e dado uma declaração simples e clara, se colocando à disposição das autoridades para esclarecer o assunto. Em um caso tão delicado, Neymar parece ter agido por impulso ou, no mínimo, sem orientação de um especialista em
gerenciamento de crise e imagem. Dono de contratos milionários com grandes marcas, muitas delas decidiram não vincular mais a imagem de Neymar aos seus produtos, pelo menos até que tudo seja esclarecido. A Mastercard, que apostou nele como garoto propaganda de diversas ações, cancelou uma campanha publicitária inteira que havia sido planejada para divulgar novos serviços da operadora de cartões durante a Copa América. Nike e Red Bull
também mostraram preocupação com o assunto.

Um jogador mundialmente conhecido, às vésperas de um campeonato, que em meio a acusações sérias de um suposto estupro divulga fotos íntimas de uma pessoa para outras milhões, deixando o assunto aberto para livre interpretação do público, sem pensar em consequência alguma. Neymar não avaliou o que causaria a longo prazo para a vítima, ainda que a Justiça entenda que não houve violência sexual contra ela, mas que agora pode sofrer pela exposição de suas fotos, assim como para os times em que atua e tudo o que isso representa.

No centro de toda a polêmica, Najila e Neymar prestaram depoimento e devem continuar sendo investigados pela polícia pelas próximas semanas. Seja qual for a decisão da Justiça, o fato é que ninguém sai de uma crise dessas ileso, mas a forma como a pessoa ou marca age é determinante para como as pessoas irão vê-la depois que tudo terminar.

Foto: Mauro Pimentel / AFP

Pamela Cadamuro

Compartilhe:

Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Estratégias para sua empresa se diferenciar e continuar na ativa durante a crise.